A Comissão de Agricultura realizou, nesta terça, uma audiência pública para debater o impacto do El Niño em Pernambuco, fenômeno que agrava a seca e a escassez do abastecimento de água nas regiões do Sertão e do Agreste. O principal encaminhamento foi o pedido junto ao Congresso Nacional, ao Conselho Monetário e à Sudene para a criação de uma linha de crédito especial destinada à mitigação dos efeitos climáticos do fenômeno.
O presidente do colegiado, deputado Luciano Duque, do Podemos, alertou para os dados oficiais de monitoramento que apontam 95% de probabilidade do El Niño atingir intensidade muito forte até dezembro. Com isso, há o risco de o fenômeno ser o mais severo desde 1950. “Eu sou sertanejo, nasci, cresci em Serra Talhada, conheço de perto a realidade do nosso povo e sei o que significa viver numa região onde a chuva nem sempre chega e, quando chega, não chega na quantidade que a gente mais precisa. Sei o que é ver uma família preocupada porque a água da cisterna está acabando.”
O deputado afirmou que será criada, na Alepe, a Frente Parlamentar de Acompanhamento dos Impactos do El Niño. De acordo com a Defesa Civil, 106 municípios pernambucanos estão em estado de emergência hídrica. O engenheiro da Apac, Clênio Torres Filho, destacou que o El Niño já está plenamente instalado e em trajetória de aquecimento progressivo.
“É um indicador que mostra os três meses consecutivos com média móvel. Então, nós vemos com isso aí crescendo de 1.4ºC de anomalia positiva, subiu para 1.7 e a tendência é que suba mais ainda agora no trimestre que se encerra em outubro. Então, não há dúvida que chegaremos no final do ano com esse fenômeno com a magnitude extremamente elevada.”
O representante da Secretaria Estadual de Agricultura, Josimar Fernandes, e o coordenador do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco, Elias da Silva, defenderam o reuso das águas do abastecimento dos centros urbanos para a produção de forragem e alimentação dos rebanhos. De acordo com Elias, estudos na bacia do Rio Pajeú identificaram um potencial anual de nove milhões de metros cúbicos de águas que poderiam ser tratadas para reuso na agropecuária.
O representante da Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento, Marcelo Asfora detalhou os investimentos do Sistema Integrado de Saneamento Rural, que conta com aportes do Banco Mundial e recursos do orçamento estadual. Trata-se de uma estrutura cooperativista para a gestão compartilhada de sistemas locais de abastecimento e saneamento, voltada para populações vulneráveis à escassez hídrica.
O representante do Banco do Nordeste, Neides Moura, detalhou o peso do setor agropecuário na economia de Pernambuco e a necessidade de liberar créditos emergenciais para os produtores. Representantes do Exército, responsável pela Operação Carro-Pipa, também estavam presentes no debate.
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